Leitura labial

O desafio da comunicação, hoje, não deveria ser falar com mais e mais pessoas. Deveria ser algo assim: conquistar a confiança de alguém que QUEIRA ouvir. Alguém que vai sentir a sua falta se você calar.

Eu estava há pouco num local com muito barulho. Não era música: era todo mundo conversando ao mesmo tempo. E eu comentei com alguém: só dá para entender a pessoa se você estiver olhando para ela enquanto ela fala.

É uma boa metáfora para a situação. Porque essa é a comunicação que faz sentido. Não é necessário (e é ineficiente) berrar ou impul$ionar para chamar a atenção. O primeiro passo: a outra pessoa precisa estar olhando para você.

O plano é ruim

Um plano ruim é muito melhor do que plano nenhum. Até porque quase todos os planos começam ruins. É da natureza do plano.

Arrisco dizer que um plano ruim é melhor do que um plano “bom”. Pois consideramos um plano bom aquele que levou tempo e que ficou detalhado e extenso.

Em geral não vale a pena ficar muito tempo planejando. É melhor planejar um pouquinho e colocar para funcionar. A realidade vai lapidar as próximas versões do plano.

O que precisamos é de um objetivo e algumas ações para confrontar expectativas e hipóteses.

Colaborador desmotivado

Em algum momento do meu curso “O Trabalho Importa” eu falo que não é obrigação da empresa motivar o funcionário. Essa não é a minha opinião: é que realmente não existe uma lei exigindo isso do empregador.

Eu também acho que a empresa deveria motivar. Mas, por ser optativo, pode ser que ela não o faça. E então, o que o colaborador desmotivado vai fazer a respeito?

Ando pensando muito sobre o impacto que assumir responsabilidades provoca na vida. E nesse caso, terceirizar a própria motivação é, no mínimo, arriscado.

Não se conhece

Você não conhece a si mesmo. A maior parte do esforço para verbalizar valores e crenças é em vão: racionalizamos de um jeito, agimos inconscientemente de outro.

A única forma de ter uma (pequena) ideia de quem (ou como) somos é observando o próprio comportamento. E em seguida, refletindo sobre o que aconteceu: por que eu falei aquilo? Por que eu senti tanta raiva? Por que eu fiquei preocupado? 

O aprendizado nasce da reflexão da ação. Para aprender sobre nós mesmos não é diferente. 

Voluntário ou reativo

O sistema nervoso reage de forma diferente dependendo de como você enfrenta os problemas. Quando enfrenta de forma voluntária, o corpo é um. Quando enfrenta de forma reativa, estressado, reclamando, o corpo é perigosamente outro. 

E o detalhe mais curioso: a MESMA SITUAÇÃO é encarada com empolgação por alguns, e com preocupação por outros. E o corpo, obviamente, reage de acordo com a percepção.

Em muitas situações rotineiras, a diferença fisiológica pode estar sob seu controle: tudo começa com uma decisão individual e intransferível, que acontece no intervalo entre o estímulo (problema) e a resposta (ação).

E tudo pode MUDAR com pequenos ajustes nesse intervalo entre o estímulo e a resposta.

 

Talento ou consistência

A Wikipédia tem mais de 30 milhões de contas – pessoas, em tese, interessadas em inserir e editar conteúdo.

Só que dessa nação de editores, menos de 4 mil, segundo a Wikipedia, são usuários super frequentes, realmente ativos, que além de editar também iniciam novos tópicos com frequência.

É provável que na sua área de atuação também exista um funil semelhante. E não é porque só uma minoria tem talento. É só uma minoria que se dedica com esforço e consistência. 

Obesidade ou fome

Hoje, no mundo, a obesidade é um problema maior do que a fome. Se no mundo essa é a estatística, imagine nos nossos privilegiados círculos sociais.

Nossos antepassados batalhavam para comer. Hoje, a grande batalha é parar de comer. E é difícil: somos biologicamente programados para garantir o alimento. Para não passar fome. E o ritmo vagaroso da evolução da nossa espécie obviamente não acompanhou a abundância dos últimos séculos. Nossa configuração genética, diante da mesa, ainda é idêntica à do caçador-coletor faminto.

Creio que esse exemplo mostra o quanto precisamos rever, de tempos em tempos, nossas crenças sobre questões sociais. A mim me parece que nos acostumamos a atirar alimentos e roupas para quem precisa, na verdade, de orientação psicológica mais complexa.