Um e-mail não respondido

O que significa um e-mail não respondido? Em geral, duas coisas:

Ou que você é desorganizado, ou que você não viu valor e importância em responder. 

Eu acho melhor que o motivo seja a segunda opção. Mas usamos sempre a primeira como desculpa.

E isso é um problema: como lembra Adam Grant, a desorganização é o maior indicador de desempenho ruim no trabalho.

Se não vou responder, que seja com intenção. E não porque “li mas acabei esquecendo”.

Caçador de insights

O grande benefício de escrever todo dia é o efeito colateral dessa rotina. Você anota todas as ideias porque sabe que vai precisar delas depois. Você começa a ver inspiração onde antes não via.

Você se torna, instintivamente, um caçador de insights. Capturar situações se torna um hábito. E logo, é como se as situações dignas de nota começassem a aparecer em maior quantidade.

Mas essa é a bela ilusão que se desfaz: as situações de aprendizado e reflexão sempre estiveram à sua volta. Você que não estava enxergando. Para ver, você precisa criar o mecanismo (no caso, escrever todo santo dia).

É a mesma receita de sempre, tão ignorada: 1) você adota uma nova prática, 2) ela vira um hábito, 3) ela muda você e a sua percepção, e 4) parece até que quem mudou foi o mundo.

Post 100 dessa fase

Há pelo menos 7 anos eu escrevo toda semana.

No início desse ano decidi que escreveria formalmente todos os dias, de segunda à sexta. E que postaria tudo aqui. Este é o centésimo post dessa nova fase.

Aproveito a data para falar de algo que percebi (e que tem me preocupado) nesse período: o fato de eu postar o texto aqui no Instagram afeta o texto final.

Não é raro eu perceber que estou, quase inconscientemente, pensando no que as pessoas vão achar, se vão entender, o que vão pensar. E então eu fico mais cauteloso. Calculando e regulando as palavras. O resultado? Um texto “seguro”.

Eu já considerei excluir essa conta e focar na qualidade e originalidade. Mas vou persistir na prática, experimentando mais. Explorando outros temas, outras formas de expressar ideias. Vamos ver como serão os próximos 100 dias úteis.

Eu já considerei excluir essa conta e focar na qualidade e originalidade do texto. Mas percebi um benefício surpreendente dessa prática diária. Assunto do post 101.

Como resolver problemas

Eu morei em Cunha Porã nos anos 1990.

Voltei lá na semana passada.

Parei na chegada da cidade para apreciar a vista: um refúgio na beira do asfalto, de onde se vê Pinhalzinho e além.

Existe um marco no local, e alguém colocou lá uma TV antiga.

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No primeiro instante achei engraçado, mas depois fiquei pensando: não foi assim que eu aprendi a lidar com problemas? O malandro que passa pra frente, evitando a fadiga e a responsabilidade?

O que fazer com essa TV? Largar na estrada. O que fazer com essa situação? Esperar passar. Fazer que não vi. Deixar que alguém resolva. É o mesmo comportamento.

Talvez o leitor ache a metáfora exagerada. Mas só vai achar exagerada se também já percebeu que resolver problemas é diferente de se livrar dos problemas.

Generosidade e responsabilidade

Existe uma diferença fundamental entre a intenção de ajudar e a ajuda efetiva. E a diferença não está na ação, ou no resultado em si. É muito mais uma questão de postura profissional. Resumindo:

1.É possível ver a boa intenção dos outros e perdoar um resultado ruim;

2.É importante não usar a boa intenção como desculpa para um resultado ruim.

O ponto 1 é empatia. O ponto 2 é profissionalismo. Os dois estão sob seu controle, e formam uma postura incrivelmente nobre, unindo generosidade e responsabilidade na mesma pessoa.

Ver em HD

Enxergamos em HD – mas só o que focamos. Faça um teste rápido: tudo que estiver ao lado, acima ou abaixo dessas palavras vai estar embaçado, sem foco.

Isso tem diversas implicações. A principal: só vemos o que queremos ver. No local em que estiver o foco, estará a percepção.

Por isso, não importa muito o ambiente, a paisagem. O que importa é o que você decide ver em HD.

Quando com medo

Não havia uma nuvem no céu.

O avião decolou suave.

Peguei meu caderno e esbocei algumas anotações.

Mas logo começaram as turbulências.

Conscientemente não tenho medo. Mas o radar do inconsciente começa a captar e emitir sinais de alerta.

E imediatamente não consigo mais escrever sobre o que eu queria.

Então começo a escrever sobre o que eu estou sentindo: um inexplicável medo.

Existem reflexões ocultas em todos os medos. Especialmente nos inconscientes, que habitam onde as palavras não conseguem chegar.

Resumindo: quando se está com medo, não há raciocínio. Não há trabalho decente.

Eliminar o medo (de errar, do chefe, do cliente, do que os outros vão pensar) pode transformar o trabalho.