A ideia e o sonho:

IAplicada é um projeto que explora as aplicações de Inteligência Artificial (IA) em duas frentes: 

  • A tecnológica, com o desenvolvimento de soluções de IA para processos e entregas empresariais;
  • E a conceitual, que estuda as implicações da adoção de IA e explora as relações com outras áreas de conhecimento, como aprendizagem e comportamento.

Unimos as duas frentes em nossos projetos de aplicação de IA. É quando a mágica acontece.

Acreditamos em automação com inteligência: a IA vai revolucionar o trabalho, tornando o profissional mais estratégico nas decisões, e mais criativo na execução.

Quem somos:

  • Parte conceitual, diagnóstico e gestão de projetos de aplicação: Lucas Miguel Gnigler.
  • Desenvolvimento técnico das aplicações: José Carlos Vieira Junior + parceiros e desenvolvedores especialistas para cada necessidade.

Encaixados no verso

Você já se identificou com uma música? Claro que sim. Mas provavelmente não foi bem uma identificação que aconteceu. O fenômeno é melhor explicado como uma racionalização.

Algo assim: você estava sentindo alguma coisa, mas não sabia exatamente o que era. Foram as palavras da música que acabaram ajudando a definir o que você sentia.

Você encaixou no verso aquilo que estava sentindo. O lado bom de ser assim é que sempre é possível escolher uma canção diferente para chegar onde as palavras não alcançam.

O melhor exemplo: killing me softly with his song, telling my whole life with his words…

O poder da restrição

Peter Drucker propagou um conceito valioso: tornar a força produtiva. Insiro aqui um trecho dele: “O gerente (executivo) eficaz torna a força produtiva: ele sabe que nada se constrói sobre a fraqueza. Tornar a força produtiva é a única finalidade da organização. Não podemos logicamente vencer as fraquezas com que todos nós somos abundantemente dotados. Mas o gerente pode torná-las irrelevantes: sua função é usar a força de cada homem como material para a construção da execução conjunta.”

Isso me guia há tempo: focar nos pontos fortes, nas qualidades, nas habilidades – minhas e das pessoas que trabalho e convivo. E não ficar tentando consertar o que elas tem de fraco, falho.

Mas as aparentes fraquezas podem ser poderosas.
Ouvi, por exemplo, a história de um psicólogo surdo. Em tese, esse ponto fraco (surdez) o impediria de ser psicólogo. Como vai entender um paciente? Mas depois de bem sucedido, quando questionado, o psicólogo dizia que escolheu a profissão justamente por causa da restrição. Foi uma forma de superação (leitura labial). Será que, no caso dele, esse foco total dos olhos na comunicação não acaba captando sinais que passam despercebidos na audição?

Outro exemplo: tropecei na história dos bastidores do Concerto de Colônia, de Keith Jarrett. Ele chegou no local do show e viu que o piano preparado era um instrumento de ensaio. Ele não conseguiria tocar o que havia planejado. Pensou em cancelar o show. Mas a casa estaria cheia, a gravação preparada, e foi convencido a tentar. Disse ele, décadas depois: “O que aconteceu foi que aquele piano me obrigou a tocar de um jeito diferente do que seria o normal.” E assim nasceu um dos discos mais famosos da história do jazz. Estou ouvindo ele agora, enquanto escrevo.

Será que aquela restrição, ou aquele ponto lamentavelmente fraco, não poderia ser justamente o motivo de uma obra original? Há um obstáculo no caminho. Ele exige um caminho diferente. Que talvez leve a um novo lugar.

As nossas bolhas

Você também anda vendo um monte de notícias sobre OVNIs?
Não vou entrar no mérito da veracidade, e nem argumentar que o algoritmo de indicação da sua rede social preferida te indica mais e mais conteúdo similar àquilo que você consome.

A perspectiva de hoje é mais simples, creio: se você começar a divulgar suas ideias contraditórias, quem estiver de fora da sua bolha não vai entender o seu ponto de vista.
E isso vale para qualquer polêmica ou teoria da conspiração. Ou até para uma nova crença.

E a respeito desse novo tema que você vem abordando: o que você pensaria sobre ele há um, dois, cinco anos? É lá (ou alguns anos à frente) que as outras pessoas estão – e por isso não vão te entender.

Outro problema: no Instagram, por exemplo, não se avalia o conteúdo só pelo conteúdo. Ele vem acompanhado pelo nosso julgamento em relação à intenção de quem publica. Todo texto traz o contexto de quem escreveu, e isso molda a interpretação do que está escrito. Pensando bem, o texto ideal deveria ser anônimo.

Por isso que eu não pretendo falar aqui sobre zen ou zazen. Até porque o “não falar” é zen também – se é que você já ouviu falar nessa bolha.

E o desocupado moderno?

Eu admiro e busco a automação. Construir sistemas que não dependem da nossa interferência – e do nosso precioso tempo.
Mas em geral a automação tira parte da função de uma pessoa. E aí vem o debate antigo (desde a revolução industrial) que todos conhecemos sobre as máquinas que estão substituindo o homem e tal.

Acrescento outra perspectiva, um milagre que passa despercebido: a multidão de pessoas que ignora qualquer questão existencial ou metafísica e vai trabalhar no horário certo. Todo santo dia: produzir alimentos, limpar as cidades, reformar o que está quebrado e tal.

O trabalho mecânico como forma de enfrentar bravamente a vida – e assim manter o mundo girando. Acho que esse é o dilema: a automação pode acabar com o propósito que o humano constrói no trabalho. Podemos distribuir uma renda mínima para todo mundo, mas será necessário encontrar outro objeto de construção de propósito. Talvez o desocupado moderno se dedique à arte e ao autoconhecimento. Ou talvez ele fique mais tempo no Youtube.

Trabalhar para o tempo passar

O tempo é relativo.
Se estamos compenetrados, o tempo voa. Entediados, o tempo se arrasta. O tempo é, afinal, relativo.

Por causa desse fenômeno, tem gente que gosta de ter o dia cheio de trabalho operacional para o tempo passar logo. Do ponto de vista da física, até que faz sentido. Mas racionalmente não: acelerar as preciosas horas com trabalho banal para chegar logo em casa.

Esse texto está aberto há dias e eu não encontro uma conclusão. Só sei que há algo muito errado quando quem tem tão pouco tempo trabalha para o tempo passar rápido.

O resto a tecnologia resolve

Malcolm Gladwell disse que pensou num curso de redação para crianças no seguinte formato: elas contariam uma história, que seria gravada em áudio ou vídeo. Depois seria feita a transcrição (disponível hoje em várias plataformas, como Youtube). A criança só vai para o teclado nos ajustes finos e finais do texto transcrito.

Para as crianças, pode parecer algo chato escrever uma história do zero, do jeito tradicional. Para os adultos também. Mas ninguém tem preguiça de contar uma história oralmente. Quem só fala em escrever, mas não escreve, poderia falar sobre isso no microfone e gerar o texto automaticamente.

O trabalho manual crítico de redação ainda (ainda!) é o da edição. É lapidar o texto, aprofundar as melhores partes, deletar o que for repetitivo. O resto a tecnologia já (já!) resolve.

PS.: post escrito na ferramenta de digitação por voz do Google.

A força existia?

A força da gravidade sempre existiu?
Ou ela precisou de Isaac Newton para começar a existir?
A resposta parece óbvia: Newton não inventou, ele descobriu a gravidade. E virou lei.
Mas será que já existia mesmo? Mesmo sem ter um nome, e sem nunca ter sido percebida até então?
Eu queria que essa reflexão fosse minha, mas não é. Minha é só a relação com coisas mais banais. Tipo aquela preocupação que só começou a existir quando você prestou atenção nela. E essa eu sei que não existia antes de você descobri-la.

Moldando a si mesmo

Passei correndo por uma TV antiga na beira da estrada.
Já vi situações semelhantes e já comentei isso aqui antes.
Seria óbvio abordar o fato pela perspectiva ambiental.
Mas nesses casos penso em outra consequência, mais íntima, num nível menos social e mais individual.
Pois o indivíduo, ao livrar-se assim do problema, de forma incompleta e desleal, vai moldando a si mesmo: quando surge uma situação crítica, a primeira reação dele é tentar achar uma forma de escapar da responsabilidade.
Problemas pequenos e frequentes poderiam ser um exercício de preparação (e de programação) para os problemas maiores que eventualmente virão.

Inventando ocasiões

Podemos usar ocasiões como motivos para agir.
Tipo hoje: último dia de julho. Já são mais de quatro meses de rotina construída na total incerteza. E não é só impressão: as semanas estão mesmo passando mais rápido. É a relatividade do tempo, já que os tempos são outros.

A ocasião pode fazer um bom ladrão: hoje, se você quiser, é o dia ideal para repensar e projetar o temido agosto. Inventar um começo ou recomeço é uma opção narrativa interessante. Com menos expectativas e com certa determinação, o que você decidir hoje pode ser o primeiro pequeno passo. Um dia para ficar marcado, já pensou?

Eu estava precisando desse 31 de julho como desculpa para repensar agosto.

O nome das coisas

Você já teve dificuldade em identificar o que estava sentindo?
Acontece: nossa compreensão das coisas chega até onde a linguagem alcança. Se não tem um nome, carece de forma. Não dá para explicar para os outros – e nem para si mesmo.
É preciso ter nome para que exista em um nível consciente.
Possibilidades surgem dessa percepção: eu posso, por exemplo, dar nomes bons a coisas nem tão boas e (mágica!) essas coisas podem mudar.
Por isso, em tese, quanto melhor e mais variado o seu vocabulário, mais possibilidades de classificação existem para você.

A tecnologia amplia a nossa capacidade de compreender as coisas. Uma linguagem de programação já aprende sem precisar ser “ensinada” com mais, digamos, vocabulário. E também já aprende a aprender, grosso modo, com regras e dados. E se aprende a aprender, também aprende, em tese, a criar as próprias regras. Voltamos ao assunto em breve.