Exigir respeito

Ouvi a seguinte declaração há alguns dias: “Exijo que esse cliente me trate com respeito!”

Mas como exigir, se não controlamos o comportamento alheio?

Nesses casos você tem três opções (que estão sob seu controle):

1.Ignorar, e ser a pessoa educada que você gostaria que o outro fosse;

2.Tentar falar com essa pessoa e ver o que dá para ajustar;

3.Desistir. Terminar a relação.

O que não dá é esperar educação para só então ser educado também. Isso é esperar a consequência antes da causa.

Que tal usar uma pessoa assim para praticar virtudes e tornar-se um profissional melhor? É aquela história: o mar revolto é que forma o bom marinheiro.

Pássaro da vaidade

Fiz um curso de HTML em 1999. De um modo (hoje) arcaico, aprendi a criar sites.

E então peguei o e-mail de todas as empresas no site do provedor de São Miguel do Oeste. Assim descobri o spam.

Vários responderam. Fizemos (eu e um amigo) alguns trabalhos medíocres (a tecnologia e a vontade eram fracas). Mas lembro bem de um empresário que imaginava a imagem de um pássaro entrando voando no site dele.

Falei que aquilo não era possível com a tecnologia que tínhamos. E não deu negócio.

E assim, também em 1999 eu vi, pela primeira vez, como a vaidade do empresário pode ser prejudicial. Ele queria um site para poder se gabar, e não algo eficiente, com um propósito informativo ou comercial.

Como metáfora, continuamos desenhando passarinhos enquanto esquecemos de quem precisa da nossa ajuda.

Tempo e esforço

Ouvi uma provocação interessante nesse final de semana. Imagine a situação:

Uma pessoa que não conhece você acompanhou toda a sua semana. Você não sabia, mas ela estava te observando o tempo todo.

Pergunta: essa pessoa conseguiu identificar quais são as suas prioridades e os seus objetivos?

*

Já passou da hora de colocar tempo e esforço no que realmente importa.

“Eu só trabalho aqui”

Existe o funcionário que se comporta como sócio, e o que se comporta como… funcionário. “Eu só trabalho aqui.”

Sim, as empresas têm boa parte da culpa. Mas não controlamos as empresas. O que controlamos são as nossas ações.

E a primeira ação é essa mudança de postura: postura de sócio, mesmo ganhando mal e tendo poucas responsabilidades. As coisas mudam com a mudança de mentalidade.

E se não mudarem, você não estará amarrado. Sempre existem opções.

Moldados pelo que medimos

Na rodovia, o caminhoneiro fazia loucuras para chegar no horário.

Na cidade, no mesmo dia, o motoqueiro passava voando entre os carros.

Nos tornamos aquilo que medimos. Se a nossa medida é o tempo, vamos correr contra o relógio. Precisamos medir outras coisas. Precisamos criar outros incentivos.

Podemos ficar nesse exemplo das entregas: transformamos a logística em um negócio perigoso, insalubre. Talvez você tenha a sorte de não ter um trabalho orientado unicamente pelo prazo. Mas você faz parte dessa loucura, pois está andando na mesma pista dessa corrida.

Quer ver os motociclistas alucinados do globo da morte? Não é preciso ir ao circo. É só diminuir o prazo de entrega.

Gerar referências

Há alguns anos eu fazia uma palestra que mostrava, basicamente, por que os conselhos não funcionam.

E eu sugeria formas de aumentar as chances de um conselho ser ouvido. Basicamente eram duas:

1.Aos invés de dizer o que você acha que o outro deve fazer, é melhor questionar e fazer perguntas. Gerar reflexão.

2.Aos invés de dizer o que fazer, contar histórias. Dar exemplos, usar metáforas. Gerar identificação.

Se fosse hoje, eu acrescentaria mais uma: apresentar boas teorias. Explicar como elas funcionam, citar alguma aplicação prática. Gerar referências.

Até porque a autoridade é o principal fator de influência.