Ousado e carente


Estudos de economia comportamental tornaram explícito nosso viés de aversão à perda. Optamos pela estabilidade quando avaliamos riscos e oportunidades. É o nosso instinto de sobrevivência. Mas existe uma situação em que uma decisão ousada é considerada a melhor opção: quando não temos muito a perder.

Quando não temos uma base que precisamos ou queremos manter, arriscamos mais. Pode até parecer óbvio. Mas andei pensando na questão de outra forma.

Se você admira alguém ousado e arrojado, atenção: pode ser que ele seja assim justamente porque lhe falta estrutura e responsabilidades. Ou porque não assume a devida responsabilidade pelo que tem.

Quem sabe ele até gostaria de ser mais conservador e cauteloso – mas ele não tem motivos para isso. Logo, o ousado que corre muitos riscos pode ser apenas solitário e carente. Ou inconsequente.

Lembrei do Millôr Fernandes: “Quão maravilhosas são as pessoas que não conhecemos bem.”

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