Depois da reação

Já escrevi aqui que somos como reagimos. Mas andei refletindo, e em função da natureza de algumas reações (instantâneas, incontroláveis as vezes) deveríamos ter uma segunda chance.

E temos: se reagimos com um insulto, ou de forma injusta, sempre há tempo de corrigir. E desculpar-se, explicando o contexto.

Existe um conceito antigo de serviços que diz que um problema bem resolvido torna a relação mais forte do que ela era antes do problema ter acontecido. Um problema, assim, pode ser uma oportunidade de criar novos vínculos.

E sendo assim, o que vai definir quem somos só será a reação se não vier nada depois.

Luta nobre

Nem toda luta é nobre.

Algumas batalhas são apenas reações instintivas. E nesses casos, lutar não significa o nobre ato de enfrentar problemas. É só o reflexo de quem não deu um tempo entre o estímulo e a reação. 

Que as nossas batalhas sejam resultado de muita reflexão. E não o impulso afoito de quem não pensa no amanhã.

Culpa do sistema

É possível que o desafio da inteligência artificial, para as nossas gerações, seja principalmente fazer a gestão da burocracia envolvida.

O que fazer quando o funcionário que sobrar dizer: “É culpa desse novo sistema inteligente, não posso fazer nada!”? Será que somos mesmo reféns de um sistema ou é a mesma justificativa conveniente de quem não assume responsabilidades?

Meu receio é que sejamos uma geração de transição. Bravos empreendedores e gestores em busca de um mundo mais inteligente. Vamos ensinar as máquinas, vamos cognificar as coisas – mas o esforço maior pode ser cultural. E isso vai nos impedir de colher todos os benefícios.

O melhor treinador

Por que o melhor do mundo precisa de um treinador? A resposta parece óbvia.

Mas o treinador precisa ser melhor, ou saber mais do que o atleta? Aqui começamos a questionar o óbvio. Aonde encontrar um treinador que seja (ou que foi) melhor do que o aluno?

Há alguns dias ouvi a história de um requisitado professor de natação que não tem um braço e não sabe nadar. Mas ele sabe ver. Ele sabe identificar padrões. Ele sabe orientar.

Precisamos ter cuidado ao julgar o orientador com base no trabalho final do orientado. São atribuições bem diferentes.

Sobre o blog

Acho que encontrei uma boa descrição para o blog:

Eu tento fazer ou mudar algo. Falho. Reflito e anoto o que eu poderia ter feito diferente, venho aqui e posto. Basicamente é isso, todo dia útil. 

Eu poderia falhar e ficar quieto? Poderia. Mas convenhamos que isso já tem bastante gente fazendo.

Quem sabe a reflexão ilumine a próxima falha.

Contas simples

Venho pensando bastante no papel dos limites e das restrições em vários aspectos da vida e do trabalho. Talvez exagero, mas encontrei uma relação entre restrição e matemática básica.

Digamos que seu avô esteja vivo. A expectativa de vida no Brasil é de 75 anos. Faça as contas. Se ele ainda estiver por aí, quem sabe ele já tenha passado dessa idade. Agora calcule quantas vezes por ano você visita ele. Quantos encontros você imagina que restam?

Nem precisamos ir tão longe. Aquela reunião mensal fundamental que você nem abre a boca. Aquela apresentação que pode definir o próximo ano. Aquela pessoa que precisa ser ouvida. A restrição, no caso, é a raridade de um evento que acaba sendo tratado como banal.

Contas simples podem indicar preciosas oportunidades. Contas simples mostram limites e restrições essenciais que a rotina nos faz esquecer.

Limites e restrições

Se você pedir para um robô pescar, é capaz de ele secar o lago. Em tese, ele vai buscar o objetivo dele (que você ensinou para ele) da forma mais eficiente. Ensinar uma máquina pode resultar em aprendizados inesperados, pois é difícil enxergar e programar limites e restrições. 

A aprendizagem humana, assim como a da máquina, também precisa de limites e restrições. E quem melhor define os nossos limites são os nossos valores.

Por isso que existe o medo da inteligência artificial. Sem a vigilância dos nossos valores, a tecnologia não respeita limites.