Enxergar possibilidades

Lembrei hoje de quando organizei pela primeira vez um seminário de final de semana. Muitas respostas assim: “Não vai dar, Lucas, domingo é meu único dia livre.” Enquanto alguns: “Que bom, domingo é meu único dia livre!”

Não é uma questão de certo ou errado. Ou de estudar ou não estudar, investir ou não. É que com frequência identifico essas ocasiões, em que a mesma situação é percebida de formas opostas. Raramente é uma questão de sorte ou destino: é enxergar oportunidades.

É óbvio, é quase matemática básica: as nossas pequenas decisões diárias vão definir o futuro.

Por que eu lembrei disso hoje? Porque vi um preocupado, reclamando da mudança, e o outro empolgado com as possibilidades (da mesma situação).

Improviso do amador

Na música, improvisa quem domina o instrumento. São necessárias milhares de horas de prática para improvisar bem.

Na vida é semelhante: improvisa bem o preparado que se depara com situações diferentes, inesperadas. O improviso, no entanto, tornou-se o modus operandi diário do amador.

Estamos confundindo a maestria do improviso com desleixo e inconsequência.

Quem é o melhor

Ser o melhor na sua área é uma garantia de sucesso?

Ser o melhor tecnicamente é só um dos requisitos. E na grande maioria dos casos, não é o mais importante.

Quem é o melhor médico ou dentista? O que mais estudou a especialidade ou o que orienta, planeja o trabalho, toma decisões conscientes e sabe ouvir e interpretar a situação?

Quem é o melhor professor? O que tem mais conhecimento? Ou o que sabe instigar e provocar a busca?

Um exercício simples: qual é o chefe ou colega que você teve que você mais admira? Era um gênio de alto QI, ou um ser humano contagiante?

O que vamos buscar na faculdade ou na pós é só uma parte pequena da complexa equação profissional.

Por isso, o conceito de “melhor” é muito subjetivo. E na prática, é uma soma de características difíceis de ensinar.

Chefe de si mesmo

Eu estou num esforço constante para trabalhar de uma forma diferente – mais focada, com intenção bem definida . Mas, para que isso aconteça, eu preciso de um chefe melhor. Acho que você também precisa.

Mas não me refiro ao seu chefe lá na sua empresa. Esse eu não sei se deveria mudar ou não. A questão, tão ignorada, é que só existe uma pessoa realmente encarregada pelo seu trabalho – você mesmo.

Como você permite um chefe que faz você perder tanto tempo no celular? Um gerente que deixa você viver e trabalhar sem planejar? Não dá vontade de pedir as contas?

Provavelmente você também está precisando de um chefe mais rigoroso na sua vida. Quando esse chefe vai ser enquadrado?

(Inspirado em um manifesto do Seth Godin)

Efeitos colaterais dos sonhos

Falei ontem sobre a via negativa: decidir o que não fazer, e tirar a nossa atenção daquilo que não importa. E então focar no que resta, no que é essencial.

O problema é que construímos um estilo de vida (e de trabalho) orientado por um progresso material inconsequente: ganhar mais, comprar mais, ter mais. Não que haja algo de errado com isso. Mas existe um ponto crítico: é preciso saber, desde o início, que vão existir consequências.

Há alguns dias vi na TV, numa dessas séries dramáticas, um traficante mexicano comentando que, quando era pobre, dormia como um anjo. Depois de rico (esse conceito tão subjetivo), perdeu o sono. Eu coleciono na memória comentários semelhantes que eu ouvi na vida real: eles me ajudam a tomar cuidado com os meus planos. Eles me fazem pensar nas consequências e nos efeitos colaterais dos sonhos.

E insisto na via negativa: que tal objetivos que envolvam reduzir, parar, eliminar e focar?

Via negativa

Antes de olhar para o todo e tomar decisões, uma sugestão:

Excluir o que é ruído, o que não interessa. Pois assim é a vida moderna: pouca coisa é essencial.

Por isso, quem sabe o melhor caminho seja ir sempre, primeiro, pela via negativa: definir o que excluir. O que não importa. Decidir o que não fazer. E aí sim, o que restar, vai merecer nossa atenção, nosso critério.

Pois olhar para o todo em busca do que é importante é igual procurar as agulhas no palheiro.

Consistência, todo dia

Não sei se criatividade e originalidade deveriam ser objetivos pessoais ou profissionais. Essas características são resultado de um processo.

Por isso que o sucesso pode (a)parecer da noite para o dia. A gente não vê o preparo. O treino. A prática. A dedicação diária.

Se você acompanhasse a rotina de um atleta de ponta, ficaria espantado. Ou talvez entediado. Cadê o glamour, o dinheiro, a fama?

O desafio é ser consistente. Todo santo dia avançar um pouquinho, faça chuva ou sol. O amador espera a motivação aparecer. O profissional vai lá e faz, não importa a vontade.

A mágica acontece durante o processo. É no pequeno e consistente avanço que a originalidade surge.