Sem plano B

Li e ouvi em vários lugares (em 3 ou 4) a mesma ideia: às vezes é bom não ter um plano B. Se você tem um plano B, você desiste quando do plano A? Diante da primeira dificuldade, ou realmente esgota as possibilidades?
Não ter plano B, em algumas situações, obriga você a perseverar. Não há outra opção – o plano A, único, precisa dar certo.
Vivemos em um mundo com infinitas possibilidades – seria justamente esse o motivo de tantas desistências?

Só o erro muda

Talvez a pessoa até concorde com você que ela está errada. Talvez até pareça que você conseguiu convence-la de que estava completamente equivocada. No entanto, vai ser necessário algum evento real para que ela realmente mude.

Conselhos podem até orientar, ou alertar e apontar para diferentes perspectivas. Mas a mudança só acontece na prática, na tentativa, no erro.

Falei ontem aqui sobre a importância de não generalizar e não ser taxativo. Mas é difícil não ser nesse caso: aprendizado para a mudança só vem da tentativa e do erro.

A certeza se dissipa

Eu ouvia um escritor que admiro falar sobre o que ele mais se arrepende ao reler seus livros antigos. Em todas as edições existem coisas que ele mudaria: questões pontuais que ficaram defasadas em função das novas perspectivas.
Mas ele disse que o maior erro do passado era a postura de “dono da verdade”, afirmando as coisas cheio de certeza, sendo prescritivo para o leitor. Guardadas as devidas proporções, eu sinto o mesmo ao reler textos antigos.
Por isso, ao invés de escrever: “É assim!”, hoje tento dizer “Pode ser que seja assim. Tudo indica que seja assim.” As vezes ainda escapa algo taxativo. Mas logo a certeza se dissipa e eu volto a editar o texto.

Não faça aos outros

No Novo Testamento, em Mateus 7:12, está a famosa Regra de Ouro: faça aos outros o que você quer que eles façam a você. Ou, dependendo da formalidade da tradução da tradução, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós.

Em seu novo livro, Nassim Taleb recomenda a Regra de Prata: não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você. Via negativa. O que não fazer define, de forma mais assertiva, as virtudes que acabam permanecendo no nosso repertório.

E é mais fácil saber o que os outros universalmente não querem: sofrimento, humilhação, desprezo, por exemplo. Mas como saber o que os outros querem? O risco de seguir a Regra de Ouro literalmente é começar a determinar o que os outros precisam – usando como base os próprios gostos e crenças.

Cama de Procusto

Na mitologia grega, Procusto era um malfeitor disfarçado de dono de pousada. Ele fazia com que sua cama servisse para todos: se o viajante fosse maior que o leito, ele cortava os pés. Se fosse menor, ele esticava a vítima para que ela ficasse do tamanho da cama.

A tal “cama de Procusto” é usada com frequência como metáfora para o nosso viés de adaptar o mundo às nossas regras.

Pegamos algo que não entendemos muito bem e encaixamos nas nossas crenças: cortando uma parte que não concordamos, esticando outra que não entendemos, até que faça algum sentido. Até que combine com nossa forma de ver o mundo. É assim que interpretamos os fatos. É assim que julgamos as decisões dos outros.

É praticamente impossível eliminar esse nosso viés. A alternativa, então, é mudar as crenças.

O seu ônibus

Duas opções:

1.Anunciar para onde o seu ônibus está indo, e então aguardar quem quer ir para o mesmo lugar;

2.Escolher as pessoas com quem você quer ir e só então decidir, com elas, para onde ir.

Nesse contexto de permanente mudança, a segunda opção me parece mais adequada. A não ser que já exista um propósito, uma visão muito clara que aponte para uma direção. Mas pode acontecer de a percepção mudar, e o ônibus metafórico precisar mudar de rota. O que você vai dizer para quem estava querendo ir para o local antigo?

Por isso, nesse contexto de frenética mudança, a segunda opção me parece mais adequada. Selecionar companheiros de viagem com base em valores e princípios em comum:  são eles, no fim das contas, que vão definir os nossos rumos.

Premiando a conivência

Semana passada falei sobre a maior ideia já advinda da psicologia: é mais fácil retirar o que impede a mudança do que forçar o movimento que queremos.

Contraditoriamente, vivemos planejando sistemas de compensação: metas, recompensas e mimos, distribuídos em troca de bom comportamento.

No caso das empresas, premiamos o comportamento que exigimos sem saber exatamente se é aquilo que a pessoa quer (ou concorda) em fazer. Ou pior: compensamos a pessoa que pode estar agindo em desacordo com o que ela acredita. Premiamos a conivência, a submissão. É insustentável.