Uma viagem fantástica

Se você embarcasse em uma viagem fantástica você ia querer registrar tudo. Não ia perder nenhum detalhe.

Mas o que seria uma viagem fantástica? É uma questão de interpretação. Se você considerasse seu atual caminho uma viagem fantástica, já estaria registrando tudo – encantado, abismado.

Ter um diário de bordo é uma forma de observar, registrar e, principalmente, de tempos em tempos, analisar a vida em perspectiva. E assim relembrar e resgatar ideias, planos e projetos que vão ficando pelo caminho. Não registrar, infelizmente, é apostar no esquecimento.

O que falta para você carregar um caderno de ideias por aí: esperar uma viagem fantástica aparecer, ou perceber que quem constrói essa jornada é você?

Qual é a sua Mona Lisa?

Leonardo da Vinci pintou a Mona Lisa durante 16 anos. Era uma das poucas telas que ele levava consigo em cada mudança de cidade.

Quando ele morreu, dizem que ela estava no cavalete. Se ele vivesse mais tempo, provavelmente acrescentaria outros minúsculos detalhes.

Leonardo transferia para as pinturas seus aprendizados sobre luz, sombra, perspectiva, movimento. E como era um constante aprendiz, precisava atualizar sua obra prima.

É importante concluir, lançar, vender um projeto (a sua arte). Em geral, o perfeccionismo é só o medo da crítica, e não torna a obra melhor.

Mas após a leitura da biografia de Leonardo da Vinci, fiquei pensando: já pensou ter uma “Mona Lisa”, aquela obra que você passa a vida inteira aperfeiçoando, aplicando as lições que aprendeu?

Só uma. Indiferente ao público, ao mercado. O resultado preciso de tudo que você descobriu ao longo do caminho.

A reação e o sentimento – 2

Quando alguém mostra que você está errado, como você reage?

Outro fato curioso: conhecemos as pessoas com base nas reações que elas têm. Não adianta eu dizer que sou uma pessoa grata, se no primeiro pequeno problema do dia já começo a reclamar.

É só no ato da reação que mostramos grandes qualidades – ou preocupantes carências.

Essa forma de conhecer as pessoas é evidente no trabalho: pense naquele colega que, diante de qualquer notícia preocupante, perde o controle. Preocupa todo mundo. E à noite perde o sono, prejudicando ainda mais, obviamente, a si mesmo.

Podemos ir além: se conhecemos as pessoas com base em como elas reagem, podemos usar o mesmo método para uma auto-avaliação.

Conhece-te a ti mesmo – observando como reages ao acaso e aos outros.

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Ou melhor ainda: não controlamos o que acontece conosco. Mas podemos controlar como reagimos ao que acontece. Como? Praticando. Ao invés de reclamar das situações inusitadas, poderíamos considera-las preciosas oportunidades de praticar ação, reação e controle.

A reação e o sentimento – 1

Quando alguém mostra que você está errado, como você se sente?

Perceba, leitor, que fato curioso: o que você sente depende da forma que você interpreta o que acontece.

No caso acima questionado: você pode ficar irritado, levar para o lado pessoal.

Ou, exagerando um pouco, pode ficar contente por agora ver um novo caminho: “Como eu não vi isso antes? Que bom que essa pessoa abriu meus olhos!”

O fato é o mesmo. O que muda é a sua postura diante do fato.

Ou seja: sentimentos não precisam ser sempre um reflexo automático de coisas que acontecem.

O trabalho importa!

Eu conversava com a chefe e com a funcionária.
A funcionária lembrou do dia em que fez a entrevista.
Ela contou vários detalhes. Coisas que foram ditas. Percepções que ela teve.
E a chefe não lembra de nada. Foi só mais uma entrevista, entre dezenas, talvez centenas já realizadas.
Muitas vezes não temos ideia do impacto que causamos nas pessoas. Vamos para o trabalho reclamando de mais um dia de rotina. Enquanto isso, outros que cruzam nosso caminho, curiosamente, tem seu caminho alterado pelas nossas ações.
Lembre-se: o trabalho importa! É no trabalho que aprendemos, mudamos e construímos. E ter um trabalho importante é uma opção sua, e não responsabilidade do seu chefe. Até porque, talvez, ele já tenha esquecido disso.

Sua vez de parar

Toda crise traz oportunidades, diz o clichê.
Lembra da greve dos caminhoneiros? Surgiram oportunidades daquela crise? Eu pensei em uma.
Quem sabe podemos, finalmente, perceber que estamos correndo sem rumo. E reclamando que estão nos impedindo de continuar correndo sem rumo. Será que é mesmo necessário encher o tanque e ir? Não daria para resolver de casa? Não seria melhor nem ir, já que muitas vezes estamos apenas fazendo o que sempre foi feito, sem questionar os reais motivos?
Quem sabe seja sua vez de perceber a importância de parar um pouquinho e olhar para o que realmente importa.
Eu sei que todos precisamos ir. Mas nem sempre.