Inédito e desconhecido

Imagine os espanhóis chegando na América pela primeira vez: os índios nunca haviam visto um barco. Como seria possível classificar aquele novo fenômeno?

Essa nossa dificuldade de enxergar o que é inédito continua, pois classificamos as coisas com base no que já conhecemos. A diferença, hoje, é que temos um repertório bem maior: dificilmente somos surpreendidos com algo completamente novo. Mas acontece.

E quando acontece, você admite que não sabe o que é? Ou tenta arrumar uma causa (ou uma desculpa) para o desconhecido?

Mundo intacto

Recebi uma notícia trágica ontem, no início da noite. Eu estava caminhando até o mercado. Senti o corpo amortecer. Comecei a imaginar o que fazer.

Um ou dois minutos depois começaram a chegar os indícios de que a notícia era falsa.

E realmente era. Alívio imediato.

E então? A primeira reação foi culpar o mensageiro, que espalhou a notícia sem verificar.

A segunda reação foi ficar feliz e agradecido que o (meu) mundo continua intacto por mais um dia.

A terceira é a reflexão. Inúmeros “e se” passando pela cabeça. E a percepção da fragilidade das coisas – algo que já sabemos, mas que esquecemos de propósito.

Líder já foi liderado

Ouvi o seguinte comentário de um professor, durante uma aula de gestão:

“Só consegue liderar quem sabe ser liderado.”

Faz sentido. Mas sendo assim, ninguém pode ser líder se não foi liderado um dia? E aquela história do “líder nato”?

Eu arriscaria outra máxima: não pode ser líder quem nunca foi gerente. Acho que o líder é formado na rotina de orientações, controles e processos da firma.

 

Definido pelo erro

O motorista matou uma pessoa porque se distraiu no Whatsapp. Ele foi preso. Justo, né?

Também acho. Mas por outro lado, ele foi o azarado que errou justamente quando havia alguém atravessando a faixa de pedestres. Afinal de contas, todos nós estamos dirigindo distraídos.

“O presidiário”: agora ele é assim definido, em função do erro que cometeu.

Nós classificamos as pessoas assim também no dia a dia. Pegamos o principal fato negativo e com ele rotulamos. É uma prática comum também no trabalho: em geral é assim que demitimos. Um erro, e então fazemos justiça.

Isso também é justo? Ou melhor: é coerente?

Dedicação incondicional

Tenho um amigo que está com um familiar bastante doente.

Está fora do controle dele a evolução da doença do parente. Não sabemos o que vai acontecer. Mas ele controla o que ele vai fazer, como ele vai agir nesse momento difícil.

Se você conversar com quem já passou por situações similares, perceberá que, não importa o que houve, eles se orgulham da dedicação total. De não ter medido esforços.

Já falei aqui sobre a diferença básica entre felicidade e satisfação. Você provavelmente não estará feliz nesse período difícil. Mas se optar pela dedicação incondicional, no futuro, quando olhar em retrospectiva, também vai se orgulhar.

Contemplação e silêncio

Parei no sinal, início da noite. Eu estava ouvindo uma entrevista do Seth Godin enquanto beliscava umas bolachinhas. Um mendigo vinha caminhando entre os carros.

Abri o vidro e ofereci o pacote, que estava pela metade.

Ele perguntou: “É doce?”

E eu: “Sim! Com gengibre!”

Ele: “Eu não como açúcar, mas obrigado, vou dar para o meu irmão que está logo ali.”

Por hoje é isso. Nenhuma observação, opinião, reflexão. Algumas coisas não exigem nada mais do que contemplação e silêncio. E, se possível, um sorriso.

 

Algo marcante

Dificilmente encontramos por acaso algo que vale a pena. Uma grata surpresa. Até acontece, mas não é frequente.

Em geral, o que vale a pena é recomendado. Alguém indica, sugere. Existe uma complexa dinâmica social que nos leva a falar sobre o que é bom (e sobre o que é ruim, claro).

O que isso significa para quem vende?

1.Sim!, precisamos divulgar e propagar o que queremos entregar.

2.Mas também precisamos passar mais tempo criando algo marcante, digno de comentários.