Complexidade e simplificações

Vivemos em sistemas complexos. Absurdamente relacionados. Qualquer pequena alteração em um deles pode afetar todos os outros.

Mesmo assim, tentamos interpretar o mundo de uma forma linear: procurando causas claras para as consequências.

“Ela deixou o emprego porque não gostava do chefe”. “Ele traiu a esposa porque ela só pensava em trabalho”. “Você errou porque não fez como eu falei”. “O negócio não deu certo porque não investiram em marketing”. Passamos boa parte do dia tentando colocar sentido no mundo com base nessas simplificações afobadas.

Precisamos aceitar a complexidade de todos os aspectos da vida. Isso vai nos tornar mais humildes e menos “donos da verdade”.

Mas vale lembrar: vivemos em sistemas complexos. Absurdamente relacionados. Qualquer pequena alteração em um deles pode afetar todos os outros. Qual pequena alteração você poderia fazer para impactar os sistemas em que você está?

É coisa da sua cabeça

Ouvi o relato de uma pessoa que, durante muito tempo, enfrentou um trauma psicológico. Ela disse que a pior parte era ouvir as pessoas dizendo, com a melhor das intenções: “Está tudo bem, isso é coisa da sua cabeça!”

Só que ela já sabia que o problema estava justamente na própria cabeça.

Vou levar a reflexão para outro lado. Pergunto: encontramos na vida algum tipo de experiência que não aconteça “na cabeça”?

Desafio o leitor a encontrar alguma.

Como seria o sucesso?

Parece-me que estamos buscando o sucesso sem saber exatamente o que queremos. Ou melhor: sem saber exatamente o que consideramos sucesso.

Sugiro uma atividade: descreva o que é sucesso para você. Imagine-se uma pessoa de sucesso. Como seria?

Com essa descrição em mãos, tenho certeza que você vai perceber que sua rotina, dia após dia, aponta para outro lugar – e não para esse (ou isso) que você descreveu.

A régua errada

Acabamos nos tornando aquilo que medimos.
Se você trabalha por causa do dinheiro, o resultado é um. Se você faz o seu trabalho para colaborar, ajudar, construir, o resultado é outro.
Se numa viagem de carro você mede o tempo na estrada, a viagem é uma. Se você mede a segurança, ou as paisagens bonitas, a viagem é outra.
Ou seja: não adianta esperar um resultado se estamos medimos o progresso com a régua errada.
E não é apenas o resultado que é alterado pelo que medimos. Essa busca também nos molda.
Ou você consegue ser um louco no volante e, ao chegar no destino, ser outra pessoa?

Mimados e frágeis

Todo mundo já ouviu a história dos pais que mimaram demais o filho. Ele ganhava tudo que queria. Não era cobrado. Não era punido. E deu no que deu: só incomodou na adolescência, e não se tornou o adulto que poderia ter sido.

Parece-nos bem claro o erro que os pais cometeram. Mas também dá para entender que a intenção deles era boa: queriam proteger o filho. Era amor puro. Ponto. 

Duas conclusões. Uma, evidente: às vezes materializamos a boa intenção de formas equivocadas. E os resultados podem ser catastróficos.

A segunda, e essa a mais crítica: não estamos cometendo o mesmo erro dos pais protetores em outras áreas da vida? Evitando exposição, riscos, decepções: justamente as coisas que nos formam. Coisas que não matam, mas fortalecem.

Será que a nossa busca incessante por segurança e estabilidade não é justamente o que está nos tornando mimados e frágeis?

Uma viagem fantástica

Se você embarcasse em uma viagem fantástica você ia querer registrar tudo. Não ia perder nenhum detalhe.

Mas o que seria uma viagem fantástica? É uma questão de interpretação. Se você considerasse seu atual caminho uma viagem fantástica, já estaria registrando tudo – encantado, abismado.

Ter um diário de bordo é uma forma de observar, registrar e, principalmente, de tempos em tempos, analisar a vida em perspectiva. E assim relembrar e resgatar ideias, planos e projetos que vão ficando pelo caminho. Não registrar, infelizmente, é apostar no esquecimento.

O que falta para você carregar um caderno de ideias por aí: esperar uma viagem fantástica aparecer, ou perceber que quem constrói essa jornada é você?

Qual é a sua Mona Lisa?

Leonardo da Vinci pintou a Mona Lisa durante 16 anos. Era uma das poucas telas que ele levava consigo em cada mudança de cidade.

Quando ele morreu, dizem que ela estava no cavalete. Se ele vivesse mais tempo, provavelmente acrescentaria outros minúsculos detalhes.

Leonardo transferia para as pinturas seus aprendizados sobre luz, sombra, perspectiva, movimento. E como era um constante aprendiz, precisava atualizar sua obra prima.

É importante concluir, lançar, vender um projeto (a sua arte). Em geral, o perfeccionismo é só o medo da crítica, e não torna a obra melhor.

Mas após a leitura da biografia de Leonardo da Vinci, fiquei pensando: já pensou ter uma “Mona Lisa”, aquela obra que você passa a vida inteira aperfeiçoando, aplicando as lições que aprendeu?

Só uma. Indiferente ao público, ao mercado. O resultado preciso de tudo que você descobriu ao longo do caminho.