Um dia ordinário

Quando a ocasião é especial, agimos de forma especial.

Por isso, deveríamos inventar ou descobrir mais ocasiões especiais.

Hoje só usamos aquelas que todo mundo usa: as cansadas datas comemorativas. Precisamos outras e novas ocasiões!

Um exemplo é o dia de hoje, que marca exatamente o início do segundo semestre. Tratamos de um modo especial só o primeiro dia do primeiro semestre. O primeiro de julho passa batido, como um dia ordinário qualquer. Poderia representar, por exemplo, um marco para revisão de planos e atitudes.

Ou é assim, ou vai ser só mais uma segunda-feira ordinária.

Duas experiências

Existem duas definições de “experiência”.

Experiência pode ser algo que você vivencia, um experimento.

E experiência também pode ser o conhecimento que supostamente vem com o tempo.

Planejar, nesse sentido, é projetar experiências, para depois refletir sobre o que aconteceu, avaliando e ajustando os rumos.

A reflexão das experiências acelera o aprendizado.

Quase metade do ano

No início de maio ouvi alguém dizer: “Meu Deus, já estamos quase na metade do ano!”

Eu não resisti, e respondi que, na verdade, havia passado um terço do ano. A metade seria só em julho.

Eu sei que foi só força de expressão, mas ela é reveladora: nos preocupamos com o passar dos anos, mas ignoramos o passar das semanas, dos dias, dos breves momentos.

No pouco tempo com as pessoas queridas, falamos banalidades.

No tempo (remunerado) para aprender e construir, reclamamos que ainda é segunda e comemoramos quando já é sexta. Para depois lamentar que “já é quase metade do ano.”

Deveríamos colocar um pouco de ordem e perspectiva no tempo que temos disponível.

Na semana que vem, se você quiser, eu vou te ajudar a projetar a próxima metade de 2019.

A propósito, faltam 10 dias para o segundo semestre.

Um e-mail não respondido

O que significa um e-mail não respondido? Em geral, duas coisas:

Ou que você é desorganizado, ou que você não viu valor e importância em responder. 

Eu acho melhor que o motivo seja a segunda opção. Mas usamos sempre a primeira como desculpa.

E isso é um problema: como lembra Adam Grant, a desorganização é o maior indicador de desempenho ruim no trabalho.

Se não vou responder, que seja com intenção. E não porque “li mas acabei esquecendo”.

Caçador de insights

O grande benefício de escrever todo dia é o efeito colateral dessa rotina. Você anota todas as ideias porque sabe que vai precisar delas depois. Você começa a ver inspiração onde antes não via.

Você se torna, instintivamente, um caçador de insights. Capturar situações se torna um hábito. E logo, é como se as situações dignas de nota começassem a aparecer em maior quantidade.

Mas essa é a bela ilusão que se desfaz: as situações de aprendizado e reflexão sempre estiveram à sua volta. Você que não estava enxergando. Para ver, você precisa criar o mecanismo (no caso, escrever todo santo dia).

É a mesma receita de sempre, tão ignorada: 1) você adota uma nova prática, 2) ela vira um hábito, 3) ela muda você e a sua percepção, e 4) parece até que quem mudou foi o mundo.

Post 100 dessa fase

Há pelo menos 7 anos eu escrevo toda semana.

No início desse ano decidi que escreveria formalmente todos os dias, de segunda à sexta. E que postaria tudo aqui. Este é o centésimo post dessa nova fase.

Aproveito a data para falar de algo que percebi (e que tem me preocupado) nesse período: o fato de eu postar o texto aqui no Instagram afeta o texto final.

Não é raro eu perceber que estou, quase inconscientemente, pensando no que as pessoas vão achar, se vão entender, o que vão pensar. E então eu fico mais cauteloso. Calculando e regulando as palavras. O resultado? Um texto “seguro”.

Eu já considerei excluir essa conta e focar na qualidade e originalidade. Mas vou persistir na prática, experimentando mais. Explorando outros temas, outras formas de expressar ideias. Vamos ver como serão os próximos 100 dias úteis.

Eu já considerei excluir essa conta e focar na qualidade e originalidade do texto. Mas percebi um benefício surpreendente dessa prática diária. Assunto do post 101.

Como resolver problemas

Eu morei em Cunha Porã nos anos 1990.

Voltei lá na semana passada.

Parei na chegada da cidade para apreciar a vista: um refúgio na beira do asfalto, de onde se vê Pinhalzinho e além.

Existe um marco no local, e alguém colocou lá uma TV antiga.

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No primeiro instante achei engraçado, mas depois fiquei pensando: não foi assim que eu aprendi a lidar com problemas? O malandro que passa pra frente, evitando a fadiga e a responsabilidade?

O que fazer com essa TV? Largar na estrada. O que fazer com essa situação? Esperar passar. Fazer que não vi. Deixar que alguém resolva. É o mesmo comportamento.

Talvez o leitor ache a metáfora exagerada. Mas só vai achar exagerada se também já percebeu que resolver problemas é diferente de se livrar dos problemas.