O trabalho difícil

Quem na sua equipe se disponibiliza a fazer o trabalho difícil? Você?

(Primeiro, é preciso definir: qual é o “trabalho difícil” na sua empresa? Provavelmente não é carregar peso.)

Fazer o trabalho difícil tem dois benefícios. Um é óbvio: o trabalho “anda”, pois em geral é bem esse trabalho que evitamos. O outro é indireto: fazer o trabalho difícil nos molda. O trabalho fácil pode ser necessário, mas é cômodo, substituível, e pouco ou nada ensina.

Ou seja: o trabalho difícil é uma oportunidade tanto para colaboração quanto para evolução individual. Logo:

1.Qual é o trabalho difícil na sua empresa? 2.Quem vai ter a honra de assumi-lo? Você?

Outra rajada de vento

De tempos em tempos uma rajada de vento aparece para destruir o que construímos. Não tem como descobrir se existe algum sentido nessa frequência. O que nos resta, assim, é escolher uma forma de interpretar o ocorrido.

O mais nobre (e útil) é interpretar como uma vitória o fato de o estrago ter sido, mais uma vez, apenas material. Reconstruir é a nossa arte. O fato vai passar. O que vai ficar é a história que inventamos sobre o fato.

E assim, também se torna nobre aquele que agradece pela vida dos seus enquanto contempla os destroços.

 

A lei do menor esforço

Alguém me explicou o comportamento de outro alguém da seguinte forma: “Ele segue a lei do menor esforço.”

A pessoa queria dizer que a outra pessoa sempre escolhe o caminho mais fácil no trabalho. E o diagnóstico mostrava que ela tinha razão.

Essa “lei” se torna um estilo de vida. E não é por má fé – é quase biológico. Se não tomarmos cuidado, estamos sempre pensando em como evitar a fadiga.

Por que telefonar, se posso fazer minha parte mandando um e-mail e me livrando do problema?

Por que apontar o problema, vai que depois eu preciso ajudar a resolver?

Essa postura molda a pessoa, e tem consequências. Um exemplo do que eu já vi acontecer: certo dia, este funcionário que sempre seguiu a lei do menor esforço, resolveu empreender. E aí ele não tem mais para quem encaminhar o problema. Tudo é problema dele.

Para ficar na linguagem popular, ele não vai poder “medir esforços”, como fazia no emprego. E aí vem o grande problema: será que ele consegue mudar seu padrão de atuação assim que muda de função? Seria melhor ter praticado antes.

 

Tolerar as fraquezas?

O presidente Abraham Lincoln foi informado de que o General Ulysses S. Grant (comandante-chefe do exército da União na Guerra Civil nos EUA) andava bebendo muito em serviço. A resposta de Lincoln ficou famosa: “Se eu soubesse a marca que ele prefere, mandaria um barril para cada um dos outros generais.”

Grant era, na visão do chefe, o único capaz de planejar e conduzir campanhas vitoriosas.

Quem lembra dessa história é Peter Drucker, no livro O Gerente Eficaz. Drucker usa o exemplo para ilustrar a ideia de que devemos gerenciar com base na força das pessoas (planejar e conduzir) e não preocupado em resolver as fraquezas (álcool).

Não tenho autoridade nem coragem para discordar de Peter Drucker. Mas precisamos refletir: quais fraquezas podem ser toleradas em razão de pontos fortes? Precisamos tolerar as manias do suposto craque ou gênio, mesmo sabendo o quanto elas afetam a equipe?

 

O copo grande

O otimista vê o copo meio cheio, o pessimista vê o copo meio vazio.

Mas podemos enxergar mais: por que estamos usando um copo com o dobro do tamanho necessário para essa quantidade de água?

Exagero no exemplo para demonstrar que muita coisa merece ser questionada. Ou o otimista corre o risco de aceitar sorrindo todas as coisas.

Já sabemos o quanto o pessimismo nos afeta. Não podemos permitir que o otimismo também prejudique a reflexão.

Preservar o núcleo

Recomenda-se que duas dinâmicas paralelas aconteçam em nossas vidas (ou em nossas empresas): manter o núcleo, enquanto estimulamos o progresso.

O núcleo: quem somos, no que acreditamos, o que sabemos fazer.

O progresso: mudança e melhoria frequente, inovação, tentativa e erro.

Sem progresso, não há motivação. Mas o progresso precisa ser orientado pelo que acreditamos – e pelo que queremos ser.

Explico em detalhes no último episódio do meu podcast. E cada episódio da segunda temporada é dedicado a um dos conceitos clássicos do Jim Collins. Como esse de hoje.

 

O uso do “E”

Ouvi alguém torcendo para que o tempo esteja bom no final de semana.

E lembrei a ideia de que, não importa o que aconteça lá fora, sempre poderemos escolher entre o uso do “E” ou do “MAS”. Explico.

Digamos que o clima realmente não colabore amanhã. Você tem duas formas de se expressar.

“É sábado MAS está chovendo.” Ou: “É sábado E está chovendo.”

Esse “MAS” já é em si uma reclamação. Ele mostra que você esperava outra coisa. Enquanto o “E” abre incontáveis possibilidades, sem julgar, sem classificar.

É uma bela prática começar a colocar o “E” antes ou depois daquilo que você considera um obstáculo.