Se você quer a opinião

Recebi mais um e-mail do SXSW (perdão por só falar nisso ultimamente).

Eles pediam, no e-mail, para responder uma pesquisa sobre o evento. Com um detalhe: ao enviar o formulário preenchido, eu estaria concorrendo a um de 5 pares de ingressos (badges) Platinum (o mais completo) para o SXSW 2020.

Respondi, e caprichei nas respostas.

É uma regra antiga: se você quer a opinião de alguém, mostre, com alguma forma de incentivo, que a opinião realmente importa. Essa é a diferença entre QUERER feedback e deixar uma caixinha de sugestões em cima do balcão.

O meio e a mensagem

Tirei algumas centenas de fotos no SXSW. Mas tem só uma que eu segurei na mão: uma tirada por uma Polaroid (aquela câmera que imprime a foto na hora) no estande da cidade de Raleigh, da Carolina do Norte. Eu parei lá para descansar e tomar uma cerveja grátis, e acabamos conversando um bom tempo – e tirando a foto de lembrança.

Estou acabando a incrível biografia de Phil Knight, criador da Nike (e que vai virar filme do Netflix). E ele fala como o meticuloso Jeff Johnson, primeiro funcionário da Nike, mandava longas e incansáveis cartas para todos os clientes. Quando ele precisou mudar de cidade para tocar a segunda loja da Nike, bastou contatar uma das pessoas que ele trocava correspondência para ser bem recebido – e introduzido ao novo mercado.

O que fazer em tempos em que e-mails, mensagens e fotos se perdem no turbilhão de informação? Quem sabe usar uma forma diferente para se comunicar e interagir. Pois o meio, quase sempre, é a mensagem.

 

Uma simpatia

Ouvi alguém falar que sabe de uma simpatia para achar vaga de estacionamento. E que sempre dá certo.

Isso me marcou. Posso (e devo) estar exagerando, mas esse episódio me fez lembrar do desafio que é viver em sociedade.

O que fazer: ser irônico, sarcástico? Não, é feio e deselegante. Quem sabe buscar o isolamento? Pode ser.

Mas vai que é assim mesmo que o mundo funciona? A gente não sabe.

Por isso hoje, quando escuto uma dessas, apenas comento, com educação: será que é assim que o mundo funciona?

Felicidade x satisfação

Quando lancei meu primeiro livro, fiz uma série de palestras sobre o tema “felicidade”. Era o assunto que mais me impactava na época: como a felicidade depende pouco de fatores externos. É muito mais o resultado da forma que interpretamos o mundo.

Mas descobri só agora, em 2019, que faltou uma parte nessa história.

Ouvindo o Sam Harris entrevistando o Daniel Kahneman, fui apresentado a uma diferença crucial entre felicidade e satisfação.

A felicidade está no momento, enquanto a satisfação ocorre em retrospectiva.

Sam Harris resumiu o dilema: eu quero que meu filho, enquanto criança, seja feliz. Mas depois de adulto, é só isso que eu desejo para ele, felicidade? Ou eu quero que ele conquiste, aprenda e evolua?

Avaliamos a vida em retrospectiva. E quando fazemos isso, o que conta são os melhores momentos. E nem sempre eles são os mais felizes. Nessas horas entendemos melhor o aventureiro, ou o workaholic. A realização que ele busca exige sacrifícios.

Creio que precisamos achar um meio termo entre “ser feliz” e estar “satisfeito” em relação à própria vida. Mas não sei se isso é possível.

Será que o que nos resta é escolher?

Só estou fazendo o meu trabalho

Você se preocupa com o impacto que o seu trabalho causa no mundo?

Você vende só para bater a meta ou também para tornar o mercado um lugar melhor?

Acho preocupante trocar uma vida inteira de trabalho por um resultado irrelevante, insignificante. Ou pior: por algo que degrada as pessoas.

A empresa precisa dar lucro. Certo. Mas só isso? E é só isso que VOCÊ quer da vida?

Não faz muito tempo que isso me incomoda. Até pouco tempo, se questionado, eu me justificaria assim: “Só estou fazendo o meu trabalho.”

E isso preocupa porque, se não for no trabalho, não vai ser no tempo livre que vamos corrigir o rumo da história.

Conflitos necessários

Precisamos enfrentar os conflitos que são necessários.

E talvez a melhor forma de saber o que é necessário, é definindo o que é desnecessário. Via negativa, de novo.

Pois muito daquilo que nos preocupa não deveria merecer a nossa atenção.

Eis a simples fórmula: fugir do conflito desnecessário.

Mas tem a segunda parte: enfrentar o conflito necessário.

Mas tememos entrar no conflito. Eles parecem uma ameaça, e por isso muitas vezes nos escondemos. Deixamos quieto. E assim o problema cresce. E assim cometemos injustiças. É aquela história: para que o mal prevaleça, basta o silêncio da pessoa boa.

A boa notícia: quando você resolve um conflito, a relação, que parecia ameaçada, sai fortalecida. A recompensa está logo alí, do outro lado do conflito. O mais difícil é ignorar o medo.

No ponto A

Você está no ponto A (presente), e quer ir para o ponto B (futuro).

A distância parece longa. E você não sabe exatamente por onde começar.

O problema pode ser anterior: você tem certeza de que realmente está no ponto A? Ou está o tempo todo com a cabeça em outro lugar? Está sempre lamentando e imaginando como seria estar no ponto B?

Estar, de verdade, no ponto A, pode ser o primeiro passo. Aceitar as condições. E focar em cada pequena etapa. É só isso que você controla.