200 posts

A melhor prática que eu já adotei foi a de escrever e postar todos os dias. Tornei-me um observador mais presente, mais reflexivo – um caçador de insights para a vida e para o trabalho.

Nesse novo formato, foram-se 200 dias úteis, 200 insights compartilhados aqui.
Percebi que a criatividade, definitivamente, é resultado de uma rotina estruturada. É resultado da prática – no meu caso, de combinar ideias.

Esse é um dos meus motivos para estudar Inteligência Artificial. O que achamos genial, em pessoas e máquinas, é uma combinação inusitada, porém dedicada, de dados. O computador faz melhor se conseguirmos ensinar ele a buscar referências e combiná-las. Quando ele fizer, o que nos restará fazer?

É isso que eu quero descobrir. Como ser um humano útil e único nesse momento histórico? A tecnologia não pode ser apenas uma ferramenta. Ela precisa fazer parte do processo criativo. Como tornar melhor o ciborgue que já somos com isso que você está segurando.

Enfim, vou dar um tempo nessa rotina de escrever e postar todos os dias. Por alguns motivos. Entre eles, quero ver como é não ter a prática diária, pois já não lembro mais. Quero ver se continuo observando situações e tentando transformar em texto – mesmo sem o compromisso de divulgar.

Também quero refletir melhor sobre o formato, o público, os temas – algo que me incomoda desde o post 150. Eventualmente devo inserir conteúdos aqui. Mas sem frequência definida. Vamos ver o que acontece.

Obrigado pela leitura e até breve.

Terceirizando o sucesso

Só mais um comentário sobre problemas externos e internos e sobre assumir responsabilidades. Depois disso eu paro. Depois de amanhã eu paro.
Acredito que o fato de atribuir nossos problemas aos outros (chefe, familiares, sociedade) é resultado de atribuirmos o nosso sucesso a fatores externos.
Quero dizer: é óbvio que se o seu sucesso é um critério definido por alguém, você vai ficar refém do julgamento dele. E então, culpar ele pelo insucesso é consequência imediata.
O que definirmos como “sucesso” precisa ser algo que está sob nosso controle. Algo que dependa diretamente do nosso esforço e dedicação. Não dá para terceirizar algo tão importante.

O problema é interno!

Ontem comentei o fato de o problema parecer externo (o trabalho, o cônjuge, a sociedade) – mas ser interno.
Claro que um problema tem ramificações, vários fatores e causas, e por isso não é adequado generalizar. Mas generalizei de propósito: o problema é interno!
Primeiro, porque ele é seu problema. Se você não resolver, dificilmente alguém vai se importar e resolver para você.
Segundo, e mais importante: mesmo que o problema seja em grande parte externo, assumí-lo é reivindicar a responsabilidade pelo próprio caminho. Não importa quem o causou.
Quais são as outras alternativas? Ignorar, reclamar, vitimizar-se.

O problema é outro

É importante saber que nem sempre dependemos de fatores externos para resolver as coisas.

Exemplo: “se eu trocar de emprego, as coisas vão melhorar!” Certeza?
É importante que o diagnóstico seja mais preciso. Ou então, pode acontecer o pior: as coisas mudam da forma que você queria, mas você percebe que nada mudou.

O problema era outro. O problema é outro. E ele não está lá fora. Será que ele está no observador?

Ignorar ou debater

Ao mesmo tempo subestimamos e superestimamos a comunicação. É fato comprovado e aceito: você não controla a forma que a sua mensagem vai ser compreendida. Somos um mecanismo complexo de interpretação.
Já falei sobre isso e voltarei ao tema, mas por hora é o seguinte: em função de você e eu sermos um mecanismo complexo de interpretação, temos duas opções. Ou falar e escrever e ignorar as interpretações, ou então entrar no debate. O difícil é identificar quando adotar cada uma.

Preço da especialização

A especialização cobra um preço: a falta da visão do todo. Dizem que é uma opção clássica: ou você deve saber muito sobre uma coisa, ou saber um pouco sobre muitas coisas.
Eu acredito que essa premissa já pode ser questionada. Ela nasceu numa época em que “saber muito” era decorar o que hoje está no Google.
O especialista pode, se quiser, levantar a cabeça e entender melhor o contexto em que está inserido. Ou permitir que a sua especialidade continue sendo uma conveniente desculpa.

Sem plano B

Li e ouvi em vários lugares (em 3 ou 4) a mesma ideia: às vezes é bom não ter um plano B. Se você tem um plano B, você desiste quando do plano A? Diante da primeira dificuldade, ou realmente esgota as possibilidades?
Não ter plano B, em algumas situações, obriga você a perseverar. Não há outra opção – o plano A, único, precisa dar certo.
Vivemos em um mundo com infinitas possibilidades – seria justamente esse o motivo de tantas desistências?

Só o erro muda

Talvez a pessoa até concorde com você que ela está errada. Talvez até pareça que você conseguiu convence-la de que estava completamente equivocada. No entanto, vai ser necessário algum evento real para que ela realmente mude.

Conselhos podem até orientar, ou alertar e apontar para diferentes perspectivas. Mas a mudança só acontece na prática, na tentativa, no erro.

Falei ontem aqui sobre a importância de não generalizar e não ser taxativo. Mas é difícil não ser nesse caso: aprendizado para a mudança só vem da tentativa e do erro.

A certeza se dissipa

Eu ouvia um escritor que admiro falar sobre o que ele mais se arrepende ao reler seus livros antigos. Em todas as edições existem coisas que ele mudaria: questões pontuais que ficaram defasadas em função das novas perspectivas.
Mas ele disse que o maior erro do passado era a postura de “dono da verdade”, afirmando as coisas cheio de certeza, sendo prescritivo para o leitor. Guardadas as devidas proporções, eu sinto o mesmo ao reler textos antigos.
Por isso, ao invés de escrever: “É assim!”, hoje tento dizer “Pode ser que seja assim. Tudo indica que seja assim.” As vezes ainda escapa algo taxativo. Mas logo a certeza se dissipa e eu volto a editar o texto.

Não faça aos outros

No Novo Testamento, em Mateus 7:12, está a famosa Regra de Ouro: faça aos outros o que você quer que eles façam a você. Ou, dependendo da formalidade da tradução da tradução, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós.

Em seu novo livro, Nassim Taleb recomenda a Regra de Prata: não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você. Via negativa. O que não fazer define, de forma mais assertiva, as virtudes que acabam permanecendo no nosso repertório.

E é mais fácil saber o que os outros universalmente não querem: sofrimento, humilhação, desprezo, por exemplo. Mas como saber o que os outros querem? O risco de seguir a Regra de Ouro literalmente é começar a determinar o que os outros precisam – usando como base os próprios gostos e crenças.