Resolver a urgência

A equipe estava irritada com a suposta incompetência do fornecedor. Não dava para saber quem estava certo e quem estava errado – o único fato, naquele momento, era uma situação urgente que precisava ser resolvida.

Mas em meio à procura por culpados, nada de concreto acontecia.

Nesses casos, o primeiro passo rumo à solução é resolver a urgência. Pode parecer óbvio, mas não é para quem cria um furacão e se enfia no meio.

Para resolver, talvez seja necessário ceder. Admitir um erro que talvez nem seja seu. Aceitar algo imperfeito, mas que é melhor do que nada. É o preço, relativamente baixo, que a solução exige.

Depois de resolvido, podemos analisar o processo. Ou procurar o culpado.

Trabalho com pessoas

Ouvi alguém justificando assim a dificuldade do próprio trabalho: “É que eu trabalho com pessoas.”

E quem não trabalha com pessoas? Ou para pessoas? Ou, ainda mais nobre, por pessoas?

O trabalho pesado, hoje em dia, é justamente esse: entender a complexidade humana para poder atender e entregar.

O resto, que não exige empatia, a tecnologia faz.

Desistir às vezes

Desde 2016 eu falo por aí sobre como e por que os conselhos não funcionam.

Ouvi ontem um exemplo clássico e recorrente: “Não desista nunca!”

O problema é que você vai ter que desistir de algumas coisas para priorizar outras.

A desistência pode representar um ato de coragem. De sabedoria. De foco. Uma atitude de alguém que consegue enxergar todo o cenário.

“Nunca desistir” pode até parecer garra e determinação – mas pode facilmente virar apenas teimosia.

 

Raras e rasas reflexões

Vou fazer um cálculo bem pessoal, que talvez se aplique a você também:

Uma semana na correria, apagando incêndios, é uma semana com raras e rasas reflexões. Logo, uma vida de trabalho operacional urgente, é uma vida com… raras e rasas reflexões?

Ouvi alguém falando que não gosta de ficar parado no trabalho. Que gosta de passar o dia em função. Com a cabeça ocupada. “Quando vejo acabou o dia!”

Ou seja: nós escolhemos esse tipo de trabalho. É uma escolha nossa ter (ou não ter!) um trabalho que só proporciona raras e rasas reflexões.

Um sacrifício da satisfação

Fui no show do Paul McCartney em Curitiba.

Já havia visto ele em 2017. Pensei em nem ir de novo. A distância. O ingresso caro. O cansaço no outro dia. E no outro.

Mas é o beatle vivo. E isso importa.

Os bons momentos são formados na lembrança, quando olhamos em retrospectiva. Daqui há algum tempo eu nem vou mais lembrar do esforço da viagem. Eu só vou lembrar da experiência única. E vou gostar da recordação.

A satisfação que buscamos exige alguns sacrifícios.

 

De quem é a culpa

Em geral nos afobamos ao afirmar que “deu certo” ou que “deu errado”. Só é possível ter essa avaliação quando olhamos em retrospectiva. Só o tempo mostra as consequências que permitem avaliar os fatos.

Essa nossa mania de classificar os fatos está relacionada com a nossa necessidade de entender e explicar as causas e os motivos. E para entender as consequências, procuramos uma razão – ou um culpado.

Lembro de Steve Prefontaine, lendário corredor americano e primeiro garoto propaganda da Nike: “Você pode falhar várias vezes. Mas só vai fracassar quando começar a colocar a culpa em alguém.”

Se você quer a opinião

Recebi mais um e-mail do SXSW (perdão por só falar nisso ultimamente).

Eles pediam, no e-mail, para responder uma pesquisa sobre o evento. Com um detalhe: ao enviar o formulário preenchido, eu estaria concorrendo a um de 5 pares de ingressos (badges) Platinum (o mais completo) para o SXSW 2020.

Respondi, e caprichei nas respostas.

É uma regra antiga: se você quer a opinião de alguém, mostre, com alguma forma de incentivo, que a opinião realmente importa. Essa é a diferença entre QUERER feedback e deixar uma caixinha de sugestões em cima do balcão.