Uma bolinha de açúcar

Ontem escrevi sobre o fato de que, pagando mais caro, temos melhores resultados. É um fenômeno psicológico estudado à exaustão. E se você for um observador honesto, vai perceber em si mesmo os momentos em que o preço ou a marca moldaram a experiência e potencializaram (ou inflacionaram) o resultado.

Isso nos leva diretamente ao efeito placebo. Uma bolinha de açúcar que você engoliu pensando ser remédio. E você acreditou (acreditar é a parte importante) e a dor passou. Deveríamos criar e usar mais placebos.

E isso tem me levado, ultimamente, ao primeiro recurso com o qual fui doutrinado para enfrentar o mundo: a fé. Acreditar sem ter certeza (fé) me parece ser a nossa melhor alternativa. Acreditar no trabalho. Acreditar que vale a pena ser uma pessoa boa. Sem saber se vai funcionar, se essa é a nossa real missão, sem questionar se existe uma missão. A fé é tudo que temos. A outra opção é a renúncia.

A fé é uma bolinha de açúcar.

 

O mais caro cura

Durante o jogo do Brasil vi uma propaganda do Benegrip. Descobri que existe um comprimido para o dia e outro para noite.

Quem já se automedicou sabe que, dos antigripais, o Benegrip é um dos mais carinhos. E por isso, por ser o mais caro e mais famoso, ele é o mais eficiente. Ou você acha que é a fórmula?

O remédio mais caro é um bom investimento. Comprar o mais conhecido, que está com anúncio na Globo. A marca famosa será responsável por boa parte da cura.

O exemplo clássico é o teste cego de refrigerantes. Quando vê a marca, a maioria toma um gole e diz que a Coca é melhor. Quando bebe sem saber qual marca é, as opiniões se dividem, e a Pepsi às vezes ganha.

Mas no mundo real não existe teste cego. Para ter melhores resultados, você precisa enganar a si mesmo pagando um pouquinho mais caro.

Difícil e melhor

Conversamos há pouco com um entregador da Rappi. Alguém perguntou se estava difícil trabalhar nesse frio.

Ele disse que não, porque havia comprado sua jaqueta impermeável na Decathlon. E que no frio ou na chuva muitos motoqueiros desistem de trabalhar. E então, nesses dias, ele tem mais entregas, além de um bônus da Rappi. Para ele, quando o trabalho fica mais difícil, também fica melhor.

As reflexões sobre o trabalho estão em toda a parte. Mas não as vemos quando estamos escondidos do frio.

Falar a verdade

Você tem falado a verdade?

Calma. Não me refiro ao “não mentirás”. Refiro-me aos momentos em que você queria ou deveria falar… mas cala. Omite. Evita a conversa difícil. 

E não se trata de falar o que vem na cabeça. É anunciar os seus valores. Bater o pé diante daquilo que é nitidamente errado ou injusto. Pois como sabemos, para que o mal vença, basta o silêncio dos bons. 

E uma dúvida: silenciar quando deveria falar é uma forma de tornar-se mal aos poucos?

Fatos e argumentos

O significado das coisas vem da forma que interpretamos as coisas.

Raciocine comigo: Você ouviu falar de um ato de corrupção. No ato você reage: “Que absurdo! Uma injustiça!”

Ou alguém reage ao seu comentário de uma forma que você não gosta. “Que grosseria, que falta de respeito!”

É o seu julgamento, com base no seu repertório de experiências, que define o mundo: mas apesar disso, continuamos acreditando que somos racionais e objetivos. Os fatos só existem porque inventamos argumentos.

Vem daí a dificuldade de entender os outros, já que cada um interpreta os fatos de acordo com a sua história. 

É cíclico: as histórias que você inventa (para si mesmo) a respeito dos fatos vão formar a sua base de interpretação… dos próximos fatos.

Um dia ordinário

Quando a ocasião é especial, agimos de forma especial.

Por isso, deveríamos inventar ou descobrir mais ocasiões especiais.

Hoje só usamos aquelas que todo mundo usa: as cansadas datas comemorativas. Precisamos outras e novas ocasiões!

Um exemplo é o dia de hoje, que marca exatamente o início do segundo semestre. Tratamos de um modo especial só o primeiro dia do primeiro semestre. O primeiro de julho passa batido, como um dia ordinário qualquer. Poderia representar, por exemplo, um marco para revisão de planos e atitudes.

Ou é assim, ou vai ser só mais uma segunda-feira ordinária.

Duas experiências

Existem duas definições de “experiência”.

Experiência pode ser algo que você vivencia, um experimento.

E experiência também pode ser o conhecimento que supostamente vem com o tempo.

Planejar, nesse sentido, é projetar experiências, para depois refletir sobre o que aconteceu, avaliando e ajustando os rumos.

A reflexão das experiências acelera o aprendizado.