Tolerar as fraquezas?

O presidente Abraham Lincoln foi informado de que o General Ulysses S. Grant (comandante-chefe do exército da União na Guerra Civil nos EUA) andava bebendo muito em serviço. A resposta de Lincoln ficou famosa: “Se eu soubesse a marca que ele prefere, mandaria um barril para cada um dos outros generais.”

Grant era, na visão do chefe, o único capaz de planejar e conduzir campanhas vitoriosas.

Quem lembra dessa história é Peter Drucker, no livro O Gerente Eficaz. Drucker usa o exemplo para ilustrar a ideia de que devemos gerenciar com base na força das pessoas (planejar e conduzir) e não preocupado em resolver as fraquezas (álcool).

Não tenho autoridade nem coragem para discordar de Peter Drucker. Mas precisamos refletir: quais fraquezas podem ser toleradas em razão de pontos fortes? Precisamos tolerar as manias do suposto craque ou gênio, mesmo sabendo o quanto elas afetam a equipe?

 

O copo grande

O otimista vê o copo meio cheio, o pessimista vê o copo meio vazio.

Mas podemos enxergar mais: por que estamos usando um copo com o dobro do tamanho necessário para essa quantidade de água?

Exagero no exemplo para demonstrar que muita coisa merece ser questionada. Ou o otimista corre o risco de aceitar sorrindo todas as coisas.

Já sabemos o quanto o pessimismo nos afeta. Não podemos permitir que o otimismo também prejudique a reflexão.

Preservar o núcleo

Recomenda-se que duas dinâmicas paralelas aconteçam em nossas vidas (ou em nossas empresas): manter o núcleo, enquanto estimulamos o progresso.

O núcleo: quem somos, no que acreditamos, o que sabemos fazer.

O progresso: mudança e melhoria frequente, inovação, tentativa e erro.

Sem progresso, não há motivação. Mas o progresso precisa ser orientado pelo que acreditamos – e pelo que queremos ser.

Explico em detalhes no último episódio do meu podcast. E cada episódio da segunda temporada é dedicado a um dos conceitos clássicos do Jim Collins. Como esse de hoje.

 

O uso do “E”

Ouvi alguém torcendo para que o tempo esteja bom no final de semana.

E lembrei a ideia de que, não importa o que aconteça lá fora, sempre poderemos escolher entre o uso do “E” ou do “MAS”. Explico.

Digamos que o clima realmente não colabore amanhã. Você tem duas formas de se expressar.

“É sábado MAS está chovendo.” Ou: “É sábado E está chovendo.”

Esse “MAS” já é em si uma reclamação. Ele mostra que você esperava outra coisa. Enquanto o “E” abre incontáveis possibilidades, sem julgar, sem classificar.

É uma bela prática começar a colocar o “E” antes ou depois daquilo que você considera um obstáculo.

Discípulo da experiência

Já falamos muito sobre o valor da experiência para o aprendizado.

Leonardo da Vinci se intitulava orgulhosamente como o discípulo da experiência.

Algumas lições (talvez as mais importantes) realmente só se aprendem com o tempo e com a prática.

Mas tem um detalhe que pode passar batido nesse discurso. Você já viu alguém experiente, mas que não aprendeu muita coisa? Que continua arrogante e inconsequente?

Pois é: o passar do tempo não vai deixar você automaticamente mais sábio. Para isso acontecer é preciso uma rotina reflexiva: observar, anotar, analisar como agimos, onde erramos.

As situações de aprendizado acontecem o tempo todo. Mas para realmente aprender com elas, precisamos de disciplina e método.

 

Intenção de não crescer

Ouvi a história de um pizzaiolo que foi convidado por um investidor famoso a abrir uma rede de pizzarias. Ele recusou, pois prefere cuidar bem só da sua.

Lembrei na hora da história da lanchonete em que o proprietário compra um número limitado de pães por dia. Quando acabam os pães, atingimos nossa meta, vamos embora.

Sem esforço algum você vai ouvir os críticos: “Eles não sabem ganhar dinheiro!”

O problema é que só medimos o trabalho (e as ações empreendedores) em função do quanto faturamos. Mas algumas pessoas medem qualidade sob controle. Previsão de horário e de entrega. Qualidade de vida.

Quando é com intenção, essas posturas merecem ser respeitadas. Elas representam um alento em meio à busca indisciplinada por mais e mais.

O maior aprendizado

Qual foi o maior aprendizado que você teve nos últimos 5 ou 10 anos?

Já me fiz essa pergunta, e não tenho dúvidas quanto à resposta. O maior aprendizado foi perceber que somos nós, e não os fatos, que definimos as coisas como boas ou ruins.

Lembrei disso ouvindo alguém falar sobre o problema que é pagar aluguel. Poderia estar pagando as parcelas de um apartamento, disse ele, “mas estou jogando dinheiro fora”.

Economicamente esse argumento é questionável, mas nem precisamos entrar nessa questão. O ponto é outro: ao invés de reclamar que não tem casa própria, você pode considerar que está pagando para poder se mudar a hora que quiser. Você está pagando para ser livre.

Estou exagerando? Pode ser. Mas tenho certeza que a maioria das histórias que você repete para você mesmo não são verossímeis. E mesmo assim você acredita em todas elas.

Logo, que tal inventar melhores histórias?