Quando com medo

Não havia uma nuvem no céu.

O avião decolou suave.

Peguei meu caderno e esbocei algumas anotações.

Mas logo começaram as turbulências.

Conscientemente não tenho medo. Mas o radar do inconsciente começa a captar e emitir sinais de alerta.

E imediatamente não consigo mais escrever sobre o que eu queria.

Então começo a escrever sobre o que eu estou sentindo: um inexplicável medo.

Existem reflexões ocultas em todos os medos. Especialmente nos inconscientes, que habitam onde as palavras não conseguem chegar.

Resumindo: quando se está com medo, não há raciocínio. Não há trabalho decente.

Eliminar o medo (de errar, do chefe, do cliente, do que os outros vão pensar) pode transformar o trabalho.

Ler até o final?

Só mais uma reflexão sobre “saber ler”, e essa obviamente para livros de não-ficção ou técnicos: muitas vezes é melhor entender os conceitos principais e partir para o próximo livro.

Por que ler um livro chato até o final? Só para poder dizer que leu tudo e não abandonou na metade? A propósito: dizer para quem? Quem se importa?

Para poder se dedicar ao que é relevante, algumas leituras merecem, no máximo, uma espiadinha na ideia central.

As releituras

Lembrei de outro perigo da leitura – essa atividade nobre, mas que pode servir como um meio de procrastinar, ou ainda (reflexão de hoje) ser realizada de uma forma contraproducente.

Existe um jeito errado de ler? Pois é: ao invés de ler, anotar, refletir e retornar aos pontos que destacamos, queremos ler novos livros. Tentamos acabar logo um ótimo livro para poder contabilizar mais um e começar o próximo. Qual é a lógica dessa pressa?

E por que começar um livro novo, quando o clássico lido já foi esquecido? As releituras são fundamentais. Porque esquecemos. Porque o texto permanece o mesmo, mas o leitor muda muito com o tempo. Afinal de contas, com novos olhos, num novo contexto, surgem novas interpretações.

Resignada ou faceira

A pessoa que chega de fora percebe a situação e afirma: “Isso não está certo!”

O tempo passa, e as coisas continuam erradas – e incertas.

Talvez ela vá embora, inconformada. Ou talvez ela fique, e em breve vai estar afirmando, resignada ou faceira: “É assim que as coisas funcionam por aqui!”

 

Nobre procrastinação

“Como é bonito o hábito da leitura!”

“Ler é nobre, bem melhor do que passar o tempo na Netflix e nas redes sociais.”

É o que dizem. E me parece que aceitamos essa aparente superioridade do ato de ler.

Não vou nem entrar no mérito da qualidade do livro. A dúvida é outra: será que estamos usando também a leitura como uma forma de procrastinação?

Afinal, ler um livro é bem mais cômodo do que, digamos, tocar um projeto. E justamente por isso, a nobre leitura pode estar, silenciosamente, nos impedindo de realizar sonhos.

 

O trabalho difícil

Quem na sua equipe se disponibiliza a fazer o trabalho difícil? Você?

(Primeiro, é preciso definir: qual é o “trabalho difícil” na sua empresa? Provavelmente não é carregar peso.)

Fazer o trabalho difícil tem dois benefícios. Um é óbvio: o trabalho “anda”, pois em geral é bem esse trabalho que evitamos. O outro é indireto: fazer o trabalho difícil nos molda. O trabalho fácil pode ser necessário, mas é cômodo, substituível, e pouco ou nada ensina.

Ou seja: o trabalho difícil é uma oportunidade tanto para colaboração quanto para evolução individual. Logo:

1.Qual é o trabalho difícil na sua empresa? 2.Quem vai ter a honra de assumi-lo? Você?

Outra rajada de vento

De tempos em tempos uma rajada de vento aparece para destruir o que construímos. Não tem como descobrir se existe algum sentido nessa frequência. O que nos resta, assim, é escolher uma forma de interpretar o ocorrido.

O mais nobre (e útil) é interpretar como uma vitória o fato de o estrago ter sido, mais uma vez, apenas material. Reconstruir é a nossa arte. O fato vai passar. O que vai ficar é a história que inventamos sobre o fato.

E assim, também se torna nobre aquele que agradece pela vida dos seus enquanto contempla os destroços.