Acreditar no processo

Ter em mente um grande objetivo ou sonho pode te ajudar a seguir em frente.

Mas quando você precisa avançar, quando precisa resolver e entregar, não é no sonho grande que você deve pensar.

Nesses casos, você precisa focar na próxima tarefa. No próximo degrau.

Nesses casos, você precisa acreditar no seu processo. Ou seja: você precisa acreditar que, se você fizer, todo santo dia, o que você precisa fazer, as coisas vão acontecer.

Uma jogada de futebol americano dura, em média, sete segundos. É nisso que o treinador precisa que a equipe pense durante o jogo: nos próximos sete segundos. Sete segundos de cada vez, até chegar no sonho grande.

No calor do jogo, ficar sonhando com o título não vai ajudar muito. Deixe para fazer isso antes de dormir.

*Em tempo: você tem um processo, certo?

O produto voluntário

Faz tempo que o Facebook/Instagram não se preocupa em tornar a plataforma melhor para você. A preocupação maior é fazer você passar mais tempo por lá. As eventuais melhorias dependem disso.

Dizem que o marketing digital mudou tudo. Mas não sei se foi tanto assim: de forma semelhante à televisão ou ao rádio, são inseridos anúncios entre o que queremos ver. O anunciante paga, nós toleramos porque a rede social, assim como a TV, é gratuita.

Será que daqui a algum tempo teremos a opção de pagar para não ver anúncios, como o Youtube já faz? É curioso: a empresa começa a ganhar dinheiro com anúncios. E depois, de tanto incomodar, começa a ganhar dinheiro cobrando para não mostrá-los.

Enquanto isso, continuamos por lá, horas e horas por dia. Somos o produto voluntário desse jogo social complexo.

Incentivar ou combater a preguiça

Ontem ouvi falar dos CliffsNotes: resumos que ficaram famosos antes do Google existir. O aluno preguiçoso comprava os resumos para não precisar ler o livro inteiro indicado pelo professor.

Daí lembrei das barrinhas de proteína da marca Clif.

E então lembrei de um comentário do Steven Pressfield: dá para ganhar muito dinheiro ajudando as pessoas a serem ainda mais preguiçosas. Seja na preguiça de ler, seja na facilidade para comer (o apressado aqui pode ser o preguiçoso ali).

Mas o que importa mesmo são essas duas conclusões:

1) É assim que as ideias surgem: quando as suas lembranças e referências de repente se relacionam.

2) E sendo assim existem, basicamente, dois tipos de negócio: os que incentivam a preguiça e os que, de alguma forma, tentam combatê-la em prol da mudança.

 

Menos coisas

Não precisamos de mais “coisas”. Já temos tudo: ferramentas, utensílios, gadgets. Não falta nada.

Então por que tem tanta gente insistindo em ganhar a vida empurrando mais coisas para quem já tem tanta coisa? É “empreendedorismo” vender produtos supérfluos para quem precisa, na verdade, de foco e prioridades?

Eis o problema: focar no que é prioridade não é uma questão de ter mais coisas. Pelo contrário: é uma questão de só ter coisas essenciais.

Já passou da hora de ajustarmos essa questão de oferta e demanda. Não precisamos da maioria das coisas que estão à venda.

Cura da neofilia

E se a mudança necessária se encontra no passado, em coisas que paramos de fazer? Nas práticas que acabamos abandonando. Nas coisas que, em função do excesso de informação, ficaram pelo caminho.

Nesse sentido, quem sabe, inovar é voltar às origens. Reencontrar-se, talvez. E então reduzir essa exaustiva busca por novidades.

A forma de trabalhar

Por que existem empresas?

Para que o trabalho aconteça. Porque precisamos estar no mesmo lugar para produzir. Mas será que precisamos mesmo?

Alguns casos (ainda) se justificam. Como as indústrias que produzem em série, digamos. Mas e as lojas? E os escritórios? E os serviços? E os serviços públicos?

Sugeri há algum tempo uma fórmula de transição. Pegue cinco burocratas públicos. Cada um vai para o trabalho apenas um dia por semana. Vão ocupar todos a mesma mesa, o mesmo computador, a mesma vaga de garagem. O resto eles fazem de casa, entregando o que precisa ser entregue.

Mas a ponte de Floripa vai continuar parada porque essa mudança é difícil. Envolve muitos hábitos e interesses. Ainda vamos bater o ponto por algum tempo, como se faz há mais de um século.

O trabalho mudou. Falta mudar a forma de trabalhar.

Currículo ou biografia

Há algum tempo ouvi uma ideia que vem me ajudando a tomar algumas decisões: é melhor ter uma biografia do que um currículo.

Não sei como o leitor interpreta isso. Eu interpretei mais ou menos assim: imagine a leitura de uma biografia. O que vai tornar ela boa? Boas histórias, decisões corajosas, eventos inesperados e inexplicáveis. Mas essa biografia precisa ser vivida antes de ser escrita. Nossas decisões vão “escrever” essa história.

Daqui a dez anos, você vai olhar para o seu trabalho, e vai poder contar com orgulho as histórias, as decisões e os eventos que ocorreram? Ou vai ser só um currículo, em que tudo que se destaca é o tempo de serviço?

Querer ter uma biografia pode nos ajudar muito a tomar decisões. Como? Perguntando a si mesmo, nos momentos de dúvidas: o que eu devo fazer para ficar bonito na minha história?