Só estou fazendo o meu trabalho

Você se preocupa com o impacto que o seu trabalho causa no mundo?

Você vende só para bater a meta ou também para tornar o mercado um lugar melhor?

Acho preocupante trocar uma vida inteira de trabalho por um resultado irrelevante, insignificante. Ou pior: por algo que degrada as pessoas.

A empresa precisa dar lucro. Certo. Mas só isso? E é só isso que VOCÊ quer da vida?

Não faz muito tempo que isso me incomoda. Até pouco tempo, se questionado, eu me justificaria assim: “Só estou fazendo o meu trabalho.”

E isso preocupa porque, se não for no trabalho, não vai ser no tempo livre que vamos corrigir o rumo da história.

Conflitos necessários

Precisamos enfrentar os conflitos que são necessários.

E talvez a melhor forma de saber o que é necessário, é definindo o que é desnecessário. Via negativa, de novo.

Pois muito daquilo que nos preocupa não deveria merecer a nossa atenção.

Eis a simples fórmula: fugir do conflito desnecessário.

Mas tem a segunda parte: enfrentar o conflito necessário.

Mas tememos entrar no conflito. Eles parecem uma ameaça, e por isso muitas vezes nos escondemos. Deixamos quieto. E assim o problema cresce. E assim cometemos injustiças. É aquela história: para que o mal prevaleça, basta o silêncio da pessoa boa.

A boa notícia: quando você resolve um conflito, a relação, que parecia ameaçada, sai fortalecida. A recompensa está logo alí, do outro lado do conflito. O mais difícil é ignorar o medo.

No ponto A

Você está no ponto A (presente), e quer ir para o ponto B (futuro).

A distância parece longa. E você não sabe exatamente por onde começar.

O problema pode ser anterior: você tem certeza de que realmente está no ponto A? Ou está o tempo todo com a cabeça em outro lugar? Está sempre lamentando e imaginando como seria estar no ponto B?

Estar, de verdade, no ponto A, pode ser o primeiro passo. Aceitar as condições. E focar em cada pequena etapa. É só isso que você controla.

Peixe pequeno

Será que a lagoa pequena impede o peixe de crescer?

Pode ser. O meio realmente importa e influencia. Mas colocamos muita culpa na lagoa, como se ela fosse a única responsável pela pequenez.

O ponto crítico é tornar-se um peixe melhor e maior. E isso depende muito mais dos fatores internos do que dos externos.

E além disso, hoje em dia o peixe consegue, se quiser, trocar de lagoa com certa facilidade.

Acreditar no processo

Ter em mente um grande objetivo ou sonho pode te ajudar a seguir em frente.

Mas quando você precisa avançar, quando precisa resolver e entregar, não é no sonho grande que você deve pensar.

Nesses casos, você precisa focar na próxima tarefa. No próximo degrau.

Nesses casos, você precisa acreditar no seu processo. Ou seja: você precisa acreditar que, se você fizer, todo santo dia, o que você precisa fazer, as coisas vão acontecer.

Uma jogada de futebol americano dura, em média, sete segundos. É nisso que o treinador precisa que a equipe pense durante o jogo: nos próximos sete segundos. Sete segundos de cada vez, até chegar no sonho grande.

No calor do jogo, ficar sonhando com o título não vai ajudar muito. Deixe para fazer isso antes de dormir.

*Em tempo: você tem um processo, certo?

O produto voluntário

Faz tempo que o Facebook/Instagram não se preocupa em tornar a plataforma melhor para você. A preocupação maior é fazer você passar mais tempo por lá. As eventuais melhorias dependem disso.

Dizem que o marketing digital mudou tudo. Mas não sei se foi tanto assim: de forma semelhante à televisão ou ao rádio, são inseridos anúncios entre o que queremos ver. O anunciante paga, nós toleramos porque a rede social, assim como a TV, é gratuita.

Será que daqui a algum tempo teremos a opção de pagar para não ver anúncios, como o Youtube já faz? É curioso: a empresa começa a ganhar dinheiro com anúncios. E depois, de tanto incomodar, começa a ganhar dinheiro cobrando para não mostrá-los.

Enquanto isso, continuamos por lá, horas e horas por dia. Somos o produto voluntário desse jogo social complexo.

Incentivar ou combater a preguiça

Ontem ouvi falar dos CliffsNotes: resumos que ficaram famosos antes do Google existir. O aluno preguiçoso comprava os resumos para não precisar ler o livro inteiro indicado pelo professor.

Daí lembrei das barrinhas de proteína da marca Clif.

E então lembrei de um comentário do Steven Pressfield: dá para ganhar muito dinheiro ajudando as pessoas a serem ainda mais preguiçosas. Seja na preguiça de ler, seja na facilidade para comer (o apressado aqui pode ser o preguiçoso ali).

Mas o que importa mesmo são essas duas conclusões:

1) É assim que as ideias surgem: quando as suas lembranças e referências de repente se relacionam.

2) E sendo assim existem, basicamente, dois tipos de negócio: os que incentivam a preguiça e os que, de alguma forma, tentam combatê-la em prol da mudança.